O conflito que envolve o Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro deve servir de alerta aos governos, federal, estaduais e municipais sobre a urgente necessidade de se reformular o atual modelo do Corpo de Bombeiros Militar exclusivo, para incluir, também, os Corpos de Bombeiros Civis Voluntários e os Corpos de Bombeiros Civis Municipais. No país, segundo divulgou a Agência Brasil em 2008, 4.929 municípios não têm Corpos de Bombeiros Militar, ou seja, apenas 635 cidades possuem quartéis de Bombeiro Militar. Portugal, país com território menor que Santa Catarina, com população menor que à da cidade de São Paulo, tem 307 municípios e em 306 há postos de bombeiros. Em São Paulo, de um total de 645 cidades, apenas 143 têm bombeiros militares.
Apenas nos estados de São Paulo, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul os bombeiros seguem subordinados ao Comando da Polícia Militar. Nos outros 23 estados, o corpo de bombeiros militar é independente da Polícia Militar, com autonomia nas decisões, que tem permitido um avanço _uns mais, outros menos_ em relação ao aumento de efetivo e à aquisição de viaturas, materiais e equipamentos de combate a incêndio e salvamento. É provável que por causa da concorrência saudável dos Corpos de Bombeiros Civis Voluntários, Santa Catarina e Rio Grande do Sul sejam modelos na busca de alternativas para aumentar o efetivo. Lá foram criados Corpos de Bombeiros Comunitários, uma parceria entre bombeiros militares e civis voluntários que necessita ser acompanhado o seu funcionamento.
Uma situação comum no dia a dia do bombeiro refere-se ao desvio de função. Muitos profissionais exercem atividades da área de saúde e da Defesa Civil Municipal e são até requisitados para dirigirem carro de cadáver, como tem acontecido no Rio. Uma situação que só traz prejuízos nas atividades de prevenção e combate a incêndios _próprias de bombeiros_ e ainda contribui para gastar recursos do orçamento da corporação. Diante deste quadro de penúria, a falta de quartéis de bombeiros militares em 4.929 cidades do país justifica que seja elaborado um projeto de lei para regulamentar os Corpos de Bombeiros Civis Voluntários e os Corpos de Bombeiros Civis Municípios.
Paulo Chaves de Araújo é tenente-coronel da reserva do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar.
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